Que é isto o que o sinto?
Sei lá o que sinto!
Às vezes minto
e digo que não sinto,
Nada.
Escrevo-te sempre,
Mas depois,
Guardo lá atrás,
Ontem.
Estou preso na tua vontade,
Como bolas de sabão,
Condenadas a poisar,
Nas coordenadas do vento.
Ai Margarida, Margarida,
Que fiz eu de errado?
Por mim voava contigo,
Nas manhãs de um lugar qualquer,
Onde te pudesse amar,
Devagar,
Sem ninguém a assistir.
Onde o contrato que assinaste,
Perdesse a validade.
E tu quisesses acordar comigo.
Margarida, Margarida,
Não dês asas a quem quer voar,
Se souberes que para lá da ravina,
Não vai haver nada.
Mas se houver uma réstia de chão,
Dá-me um sinal,
que eu espero,
Por esse metro a vida inteira.