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Neste blog encontras a minha gaveta, entreaberta, para que possas fazer companhia aos meus pensamentos. Na verdade, não escrevo para te dizer nada. É apenas porque preciso de mais espaço, para poder pensar noutra coisa qualquer!

Escrito a Vapor - Blog de Poesia

Neste blog encontras a minha gaveta, entreaberta, para que possas fazer companhia aos meus pensamentos. Na verdade, não escrevo para te dizer nada. É apenas porque preciso de mais espaço, para poder pensar noutra coisa qualquer!

Eu não mais andava que perdido,
Entre as mãos e as pedras,
Os golpes e as cicatrizes,
Os teus olhos e o teu medo,
Eu não mais andava que discordado,
Entre o teu silêncio e as minhas palavras,
Os meus avanços e os teus retrocessos,
Adulteradas promessas e juras,
Eu que nem era mais que um humano,
Fui apenas um engano certo,
Não erramos nem por longe nem por perto,
Talvez, nem tenhamos avistado o alvo.
Eu que até acreditei que fosse diferente,
De inconsciência, talvez que o acordar
Continuasse sendo a fantasia,
Deste meu ardente imaginar.
Mas com o primeiro copo de sorte gelado,
Consegui morrer a tempo de fechar os olhos,
Não quis acordar,
Apenas a mente me trouxe o que eu queria ouvir,
Apenas a mente me amou como eu desejaria,
Apenas a mente me falou e me ouviu,
Apenas ela me deu tudo o que eu não tinha,
Afinal sei que é na mente,
Que está presa a minha vida
E se eu soubesse que se morresse ficaria com a mente,
Pois então morreria agora
Para viver a minha história de amor prometida.

Abra-se o mar.
Abra-se ele e me perca eu ao vento.
E me adoce com a vida que obrei.
Sejam menos os dias ápices do lamento.
No meu pensamento. Ai meu pensamento!
De tanto pensar, não vivi…. Mas sonhei.


Seja o dia a noite,
Seja a pele da criança um mundo indolente,
E de cores se revertam os céus pois é morte,
É o indistinto de mais uma visão deprimente,
Vejo a chegar e adormecer e tudo consente,
No fim da obra, no fim da vida, no fim da sorte

Assim sou eu hoje escondido,
Assim serei eu amanhã de novo,
Um desejo atrás da montanha,
Uma outra vida atrás da porta,


Assim sou eu pensando na morte,
E vendo que nada sou para cá dela,
Uma falha na sorte…
Uma falha no amor…


Assim sou eu agora vendo o mundo,
Assim eu pensando tê-lo ao colo,
Sei que não o tenho,
Nem nunca o poderei ter

Entrou como um folgo ardente,
Sob as minhas cinzas, um clarão de espuma
Encoberto pelo silêncio de mais um golpe fervente.


As horas de pânico, atraentes ao assento,
Amornaram os dentes furtados pelo barqueiro,
E vi ser mais que branca esta noite em sofrimento


Gemeram as lâmpadas de um candeeiro fundido,
Desmoronaram paredes e tetos, palavras e canções,
A sinfonia não se ouviu, e o poema não foi lido.


Era mais que uma promessa prometida,
Um melancólico negrume num riacho,
Que um dia me jurou a saída, saída essa que eu não acho.


Caiu do cimo do céu em sinal da aliança,
No negrume da última ovação excelsa,
Morto estou eu pensando criança.

O orvalho secou acanhado,
E com ele manhã destilou,
E das cordilheiras o faro,
Despertou um novo dia,
Da primavera.
Mais uma gota de cansaço,
Solta nas entranhas do vendaval.
Era um dia de nevoeiro,
Em que os ossos pareciam querer,
Desmoronar os corpos.
De tanta dor seca,
E de corpo estendido,
Na areia molhada,
Como castelos de agua,
Acordei.
E não vi nada duque terá sido,
Comi das portas o vício.
E de entre dentes,
Um semblante me matou,
A fome de calor.
O primeiro cigarro do dia,
E sem ainda ter aberto os olhos,
Não fui eu que o fumei,
O mundo sim,
O fumou de mim.
E puxaram demasiado por ele,
Que eu já nem me sentia vivo,
Os meus ossos foram espremidos,
Os meus músculos foram prato do dia,
Na boca da multidão

Ali onde estava sentia-me capaz,
De com um estalar dos dedos,
Morrer sem ninguém me ouvir,
O mundo esqueceu-se de mim,
E eu também me esqueci.
Quiçá ali estivesse perdido,
Talvez perdido não seja o termo,
Pois não tinha um sentido de orientação.
Nem um trajecto definido,
Para o sentir quebrado.
Apenas me sentia encoberto no globo,
Nesta bola redonda furada,
Que de dentro dela hei-de desaparecer,
Para encontrar a minha luz,
E ver o caminho.
O dia foi nascendo lentamente,
E com ele mais do ópio do povo,
Era mais um dia que nascia,
E eu o via crescendo a passos,
Tingindo o oceano.
Passou um barco a lés do cais,
Onde eu depositava as almas,
Que ia matando dentro de mim,
E que com elas ia mantendo acesas,
As velas do meu coração.
Peguei em paus partidos e juntei-os,
E do fundo da minha sede,
Bebi o resto duque trazia da vida,
Guardado
Num guardanapo

Voar mais alto que inchaço rude,
Em valentia de iterar nas felgas obstantes,
O mesmo que me falei ao ouvido.


Sobressaltadas vão cores das palavras,
Sem mirar que a querença é apenas fé,
E que a ambição se vai desgastando.


Engendrei que fosse dócil dizer,
Mas revelar foi mais forte que sentir,
E fui entusiasta fitando somente,


E se nas galhas do touro irado,
Forem cravados os desavindos,
Nesta fé serei assado vivo.


Pois não fui leão e não comi alvíssaras.
E fui um malfeitor do pressentimento.
E não disse o quanto te amo.

Pensamentos que cultivo na mente
Dum jardim seco, repleto de encanto
Nesta terra as minhas ideias planto
E mais delas um dia hão-de nascer


O sol despontou enguiço perdidamente
E o apreciei surgir cheio de espanto
O pensamento se erguia quebranto
E mais dele tornaria a ser


E tu voando nos meus braços
Colhendo das luzes todo o pó
Saciando das vontades o resto


Os pensamentos ficando escassos
As ideias se juntaram numa só
e morri neste memorial infesto

Com a espátula de um carrossel,
Flutuante na montanha,
Ficou preso o meu desejo.


Laminado a cada falha,
Composto a cada atrocidade,
E sem alforria de errar.


Meretriz consciência de gáudio,
No âmago das opressas menções,
Sei que o perdi para sempre.


Nostalgia de o enlaçar,
E discorrer dele somente,
O último rogo,


Que alcance o intelecto,
E se feche no firmamento,
Mas que me escore perfazendo

Se fores ao choro,
No umbigo do cálice,
Que os passos caiam padecentes.
E nas ideias dos trilhos,
Que as canoas se percam.
Seja lume o universo,
E almas as palavras dos olhos.
Assenta e forja-te do veneno,
E vomita as lágrimas,
Despejando os rastos.
E dos segundos varre
Os Ápices constantes à memória.

O frio de uma palavra,
Tocada numa caverna em silêncio,
Colhe as línguas da intimidade,
E as deita sobre o fogo.
Cospe o vento da alma,
E os pregos soltam-se com a mola,
Do desespero.


Sai do pó de um calo,
A submissão de um palácio.
As lareiras arrefecem-se,
Tocando-se.
E nas entranhas de um dia,
De horas corrompidas,
Em segredo,
Se avista no céu,
Ceando a dor.

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