Deita as feridas ao rio,
E vê como eles voam,
Ficamos vendo elas correr como folhas,
Sem destino sem rumo,
Apenas fogem de nós.
Apenas fogem
De nós os dois.
Fogem como a vida,
Que hoje temos e amanha,
Amanha talvez não saiba ainda,
Pois ela passa e tudo nos leva,
Nada ela deixa para recordar,
E o que vivermos hoje,
Amanha poderemos lembrar,
Então vamos viver este momento,
Vendo as feridas desaparecer,
Pede um desejo ao meu ouvido,
Pede que eu to darei de presente,
E será nosso este céu encoberto,
E as feridas deixarão de se ver.
E se sentires frio me abraça,
Juntos aqueceremos a vida,
A vida que morre nesta sede,
Sede de amor que não passa.
Passará talvez bem sei,
Como as feridas deitadas na água,
Correndo para mais longe que o rio,
Tão perto quanto a nossa mágoa.
As luzes fascinadas pelo nosso espanto,
Como as pessoas aturdidas por um sorriso,
Hoje temos apenas o que é preciso,
Para ser esta noite a beleza e o encanto.
Seja a alegria e a magia das palavras o lema,
E que nos abençoem os deuses e os santos,
Abençoada esta parábola dos encantos,
Onde tudo de nós começa por este poema.