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Neste blog encontras a minha gaveta, entreaberta, para que possas fazer companhia aos meus pensamentos. Na verdade, não escrevo para te dizer nada. É apenas porque preciso de mais espaço, para poder pensar noutra coisa qualquer!

Escrito a Vapor - Blog de Poesia

Neste blog encontras a minha gaveta, entreaberta, para que possas fazer companhia aos meus pensamentos. Na verdade, não escrevo para te dizer nada. É apenas porque preciso de mais espaço, para poder pensar noutra coisa qualquer!

Deita as feridas ao rio,
E vê como eles voam,

Ficamos vendo elas correr como folhas,
Sem destino sem rumo,
Apenas fogem de nós.
Apenas fogem
De nós os dois.

Fogem como a vida,
Que hoje temos e amanha,
Amanha talvez não saiba ainda,
Pois ela passa e tudo nos leva,
Nada ela deixa para recordar,
E o que vivermos hoje,
Amanha poderemos lembrar,
Então vamos viver este momento,
Vendo as feridas desaparecer,

Pede um desejo ao meu ouvido,
Pede que eu to darei de presente,
E será nosso este céu encoberto,
E as feridas deixarão de se ver.

E se sentires frio me abraça,
Juntos aqueceremos a vida,
A vida que morre nesta sede,
Sede de amor que não passa.

Passará talvez bem sei,
Como as feridas deitadas na água,
Correndo para mais longe que o rio,
Tão perto quanto a nossa mágoa.

As luzes fascinadas pelo nosso espanto,
Como as pessoas aturdidas por um sorriso,
Hoje temos apenas o que é preciso,
Para ser esta noite a beleza e o encanto.

Seja a alegria e a magia das palavras o lema,
E que nos abençoem os deuses e os santos,
Abençoada esta parábola dos encantos,
Onde tudo de nós começa por este poema.

As roseiras do meu encanto perdidas pelos abrolhos,
Ensombradas pelo mal e pelo medo, e pelo sentido,
São as flores do meu receio e do meu amor ferido,
São as flores deste azar que eu tenho aos molhos.

Desfeito estou eu com esta cegueira nos olhos,
Aterrorizado pelas palavras que não terei cingido,
Meu coração morto, está negro de tão perdido.
Perdeu a vida e o caminho e faleceu nos escolhos

Não quero mais amores nem encantos,
Nada mais desta loucura do coração.
Nem quero melhor desta pouca sorte.

Percam-se de novo os sorrisos quantos,
Depus pelas escadas da eterna paixão,
E que o pó e o barro se amem na morte.

A janela do nosso paraíso está escondida,
Pelas nuvens negras e cheias de tédio,
Que seja um de nós a poção e o remédio
E amanhã acordaremos unidos nesta vida.

O frio do mar na nossa dor aquecida,
Nos congela a mente como um assédio,
Juntos viveremos amantes neste prédio,
Eu tu, nós os dois, e uma dor destruída.

E veremos depois sim o paraíso oculto,
E acharemos a chave da nossa felicidade,
E dormirei de novo deitado á janela.

Que seja este o caminho que eu exulto,
E que reitere em nós a sinceridade,
E sejamos nós o remédio e chave da cela

Por ombreiras nas tuas gladiaras vencidas!
De falecimento em punhos já te derrotei!
Anda! Anda! Tenta ensinar-me o que não sei!
Leva as tuas mãos como vitórias perdidas!

Não tenhas medo seu medroso delicado!
Enfrenta agora e luta comigo os teus medos!
Vem! Mostra-me a tua força dos segredos!
Enfrenta-me! Levanta esse rosto coitado!

Mexe-te! Dá força ao teu espírito lutador!
Ou sobe a tua mão e desiste de logo disto!
Pois és mais um fraco amargurado na dor!

Faz algo seu mísero antes de eu o fazer!
Grita! Grita então bem alto eu desisto!
Ou será que me enfrentas até morrer?

Eu sou um caçador de borboletas,
Que parto as asas de quem me vem.
Para me dizer que não sou ninguém,
E me arriscam quebrar as muletas.

Com o medo escondo as mãos.
Destes meus arrepios sofredores.
Para elas lhes guardo as dores.
E as desfaço em pequenos grãos.

Os seus medos já foram os meus.
Mas agora dou-lhes contentamento
E elas me amam como o seu deus.

Eu lhes dou o pasto e o caminho.
Mato-lhes a fome do sofrimento.
Borboletas que dentro mato baixinho.

Eu sou um castelo de um reino antigo.
Há centenas de anos não habitado.
Nunca ninguém quis morar a meu lado.
Nunca ninguém escutou o que eu digo.

Sou um castelo que foi feito na areia.
Que já venceu por varias vezes o mar.
Ele faz de tudo para me desmoronar.
Belo mar este que não me sai da ideia.

Esta luta incandescente que vou travando.
De nada me serve e de pouco eu a uso.
Toda a minha vida precisa de um parafuso.
E de alguém que a viva governando.

A noite envergonhada escondendo o sorriso.
Aparece deslumbrante no cimo deste belo altar.
Mais uma noite nasceu para nós querido mar.
Mas ninguém quer ver comigo este paraíso.

Eu sou o castelo das ruínas onde apenas resta nada.
Nada este que se vai pintando de pó do tempo.
E é deste pó, fruto de tudo o que é o meu tormento.
Que eu choro a solidão de ter a vida amaldiçoada.

As escadas que vos levam ao cimo de mim partiram.
Com o deteriorar dos anos ficaram desmoronadas.
Destas escadas hoje apenas restam pegadas.
De solidez de tanto do seu tédio se extinguiram

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