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Neste blog encontras a minha gaveta, entreaberta, para que possas fazer companhia aos meus pensamentos. Na verdade, não escrevo para te dizer nada. É apenas porque preciso de mais espaço, para poder pensar noutra coisa qualquer!

Escrito a Vapor - Blog de Poesia

Neste blog encontras a minha gaveta, entreaberta, para que possas fazer companhia aos meus pensamentos. Na verdade, não escrevo para te dizer nada. É apenas porque preciso de mais espaço, para poder pensar noutra coisa qualquer!

Quando ao outro te legas,
numa série ininterrupta de instantes.
Cantam-se rimas sem consoantes,
Que escondem o fardo que carregas.

Se te sentas livre e atento,
E do outro contos amealhas,
Deslindarás nessas tralhas,
Para teu saber alimento.

Se presente pões teu passado,
E dele jogas páginas ao vento,
Descobrirás que afinal ter tempo,
Também é do espírito um estado.

 
 
Se esta rua não é só para mim,
faço um périplo e tento,
moldar o pensamento a seguir.
 
Razão, tu pedes para eu ouvir,
há terra em contramão, aqui,
eu senti!
 
Porquê? Somos aios do fim, porquê?
 
Da rotina fez-se homem assim,
da caverna ao nosso tempo
há um rasto que hoje podes sentir.
 
Imagina…
está limpa, de volta, por tua mão.
 
Porquê? Somos aios do fim, porquê?
 
Musica de: Primavera
Letra de: André Maria

Negras as noites oblíquas,
Mascantes de luz fulgurante,
Que têm as veias à porta.
 
Assentos de jardim adornados,
Leito das costelas quebradas,
Onde alquebram intrépidos ruins.
 
Não há sossego adjudicado,
Nem há mais da avidez saciada,
Apenas o restolho num copo vazio.
 
As candeias queimam em crespo,
E a chama que se intente ostentar,
Fende antes de na casca advir.
 
Mortas estão as garras do pobre,
Na calçada do éden à sombra,
Avariadas na artéria do destino.

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