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Neste blog encontras a minha gaveta, entreaberta, para que possas fazer companhia aos meus pensamentos. Na verdade, não escrevo para te dizer nada. É apenas porque preciso de mais espaço, para poder pensar noutra coisa qualquer!

Escrito a Vapor - Blog de Poesia

Neste blog encontras a minha gaveta, entreaberta, para que possas fazer companhia aos meus pensamentos. Na verdade, não escrevo para te dizer nada. É apenas porque preciso de mais espaço, para poder pensar noutra coisa qualquer!

Se em mim fechado está,
Todo passado que persista,
Se ao tempo faço revista,
Logo a memória o abrirá.

A memória é uma mola,
Presa entre o chão e o céu,
Que no voo parece um véu,
E na queda uma gaiola.

Somos aquilo que nos lembramos.
Se tantas coisas fiz e pouco resta,
É porque minha memória é floresta,
Confinada a dois ou três ramos.

A melhor memória é a vontade,
Ninguém se esquece do cigarro,
Nem do domingo dentro do carro,
Mesmo que se escape a dignidade.

A memória é uma rotina:
-Levanto; -morre; -sento; -acorda;
-Falo; -desaparece; -penso; -recorda;
Nunca a vences se ela te domina.
Que é isto o que o sinto?
Sei lá o que sinto!
Às vezes minto
e digo que não sinto,
Nada.
Escrevo-te sempre,
Mas depois,
Guardo lá atrás,
Ontem.

Estou preso na tua vontade,
Como bolas de sabão,
Condenadas a poisar,
Nas coordenadas do vento.

Ai Margarida, Margarida,
Que fiz eu de errado?

Por mim voava contigo,
Nas manhãs de um lugar qualquer,
Onde te pudesse amar,
Devagar,
Sem ninguém a assistir.
Onde o contrato que assinaste,
Perdesse a validade.
E tu quisesses acordar comigo.

Margarida, Margarida,
Não dês asas a quem quer voar,
Se souberes que para lá da ravina,
Não vai haver nada.

Mas se houver uma réstia de chão,
Dá-me um sinal,
que eu espero,
Por esse metro a vida inteira.

Foi ao amor que aprendi a escrever, 
Em versos para mulheres que não amei.
Houve dias em que por certo o julguei
Mas se não o foi, não o era para ser.

Foi nesse amor que não me vieste ver,
Porque desses versos não leste amiúde,
E se dessas letras não viste a virtude,
Não foi amor porque não o deixei ser.

Nunca disse que te amava,
Porque esse amor era o farol,
Se das palavras queria um gole
E a inspiração me faltava.

A inspiração é fruto da esperança,
Que se devora enquanto se procura,
Acaba-se a busca, acaba a loucura,
Acende-se a luz, muda-se a dança.

Usei-te, sei que te usei, confesso,
Gastei horas de amor contigo,
Nas assoalhadas de um abrigo,
Onde meu ego vive em excesso.
Desejei que nascesses tanto,
que moldei o ninho com a ansiedade,
de estar presente num tempo presente-distante,
ofegante voei e só acordei na minha vontade,
que se fez quando nasceste tu.

Fino dialeto indefinido
que sentido novo hás-me abrir?

Não quero mais senão tu,
nem rotinas nem linhas traçadas,
leva-me por essas ondas agitadas,
prometo que aprendo a nadar contigo.

Vou em mim, de viagem,
malas cheias de nevoeiro,
sem luz levo o candeeiro,
ao amor comprei passagem.

Levo os pés pelo joelho,
se medo carrego no passo,
já tenho construído o laço,
comigo trarei meu parelho.

Na barriga avoaçando
a novidade e a aventura
a que a vida me ordena.

Doo à sorte meu comando,
esqueço o medo da altura,
desejo hora pequena.

Para ela, que multiplicou os amores da minha vida, todos os versos, sempre poucos.

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