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Neste blog encontras a minha gaveta, entreaberta, para que possas fazer companhia aos meus pensamentos. Na verdade, não escrevo para te dizer nada. É apenas porque preciso de mais espaço, para poder pensar noutra coisa qualquer!

Escrito a Vapor - Blog de Poesia

Neste blog encontras a minha gaveta, entreaberta, para que possas fazer companhia aos meus pensamentos. Na verdade, não escrevo para te dizer nada. É apenas porque preciso de mais espaço, para poder pensar noutra coisa qualquer!

Os versos que não te mandei,
Do amor que te prendo,
Um dia o lume
esse papel
atacou
e
soltou
o incenso cruel,
da dor em perfume.
Enquanto via o fim crescendo,
Corri esses versos e o amor decorei.


O amor resiste ao tempo
E o desejo também.
Se não há vento,
Ninguém o vai
Esquecer.
Quem não vai
Desejar um dia fruir
Dessas horas sedentas
Onde os passos descolam
Os espaços interrompem
Num fruto maduro.
Abro a rede.
Tomara eu,
fosses
tu.

 

Rodo,
Sempre à roda,
Não tenho outro modo,
Por mais voltas que dê,
Já nem me incomodo,
Se desta moda,
Estou à mercê.

Podia,
Encontrar distinto,
Meio para vazar a via,
Que dentro me entope,
Mas é aqui na poesia,
Que o que sinto,
Se torna dote.

Despejo,
Fico mais leve,
Minha alma protejo,
Tudo se torna claro,
Do meu vicio, desejo,
Instinto breve,
Toque raro.
Se eu voasse iria para longe,
Tão longe de onde a capela
do fundo da minha rua
fosse um ponto pequenino.

E eu pudesse ver,
quem entra e sai,
quem diz o quê,
a quem escuta.

Se eu pudesse voar,
Queria conhecer o mundo,
Que existe dentro de todas
As portas da minha rua.

Todas as esquinas da
Calçada onde vivo,
Os segredos das pedras
E as histórias das vidas.

Se eu pudesse voar,
trocava as asas,
por tudo o que não vejo,
e se passa em frente
do meu nariz.
Preciso de um dia vazio,
para mudar as lâmpadas,
e trocar os fios.
Desmontar as paredes,
Fechar as torneiras
e limpar as gavetas.

Correr o sistema,
rodar o programa,
encontrar o erro
e renomear o ficheiro.

Para ver as manchas no casaco,
Ponho-o ao sol,
Dependurado pelas mangas e
e ponho-me ao largo,
A espreitar.

Vazio dia esse tão ocupado,
Que me toma logo pelo cansaço.

Os dias vazios comem-se a olhar
sem entender a curiosidade.
A procurar algo que desperte
e entretenha.

Os dias vazios são para olhar para fora
enquanto dentro o silencio trabalha.

Sabes Guida,
sempre soube.

É como quem cala
Ou diz que a vida é vã.
De que serve saber
de onde vieram os trapos?

Os trapos somos nós,
farrapos de vontades,
fartos de dar pancada
em nós mesmos.

Sabes Guida,
sinto raiva.
Sinto que a tua voz amarga
se amargurou no doce.

Precisavas de te ouvir,
só assim verias que o azul
escondia um céu amarelo
e que afinal os peixes voavam
como fardos de palha.

Acredita Guida,
tudo é possível aos tolos
quando se sentam no jardim
a contar migalhas de pão.

Confesso que te vi,
a esfarelares os trigos
secos de outras madrugadas,
mas ignorei.

Sabes Guida,
Quanto mais julgo
Menos entendo.

Foi amor a mais Guida?

Dê-te deus o poder de clarear,
De tornar branco esses traços,
De risco negro em olhos baços,
Que não te deixam enxergar.

Dê-te deus o poder de entender,
Que mesmo o genuíno intento,
Com pouco ou nada vira turvento,
E podes magoar alguém sem querer.

Podes não ter usado todo o mal,
Nem ousado galantear pujança,
E inocente ter sido o teu ato.

Enquanto exibias um riso normal,
Alguém te ouviu rir noutra dança,
Julgou-se por presa, presa ao teu fato.
Sonhei com teu pão de açúcar,
Plantado no meu quintal,
Junto das minhas camélias.

Para eu não mais levantar voo,
Cada vez que a saudade aperta,
E quero cheirar o teu pão de açúcar.

Dava-te duas ou três camélias minhas,
Regadas com grãos de areia cozidos,
Para que dessem fruto no teu jardim.

Quem depois voasse para aqui sentiria,
O mesmo ar doce que tendes aí.
Como duas terras e uma só cultura.

Se camélias nascessem em toda a parte,
E pão de açúcar ouvíssemos, toda a hora,
De diferente o que me faria ir-te ver?
Cresce assim tanta vontade,
em bruta, tanto sumo e tanta fruta,
Que por fartura morre ou não perdura.
Esta é a aventura por sumo de liberdade.

Solta-se o medo selvagem numa voz de confiança,
Eleva-se o tom e a dança. Enche-se a pança matura.
Uma viva a nós, à coragem, ao talento e perseverança,
Outro abraço e avança a mudança em busca da cura.

Que tanta vontade de caminho novo,
Rasgado suor, dedicação e energia,
Não se percam no derradeiro dia,
Em que a todos não pode eleger o povo.

Hoje estou dentro de mim,
por dentro de algo maior do que consigo ver.
Sinto que estou dentro de mim
porque toco nos pensamentos com os dedos
e agarro as emoções com as pálpebras.

Tenho a certeza de que estou dentro de mim e estou bem:
- porque há dEUs aqui!

O dEUs “Eu”.

O dEUs que eu criei
para me mostrar o caminho
e me dar alento na viagem.

E se me perguntares se acredito em dEUs:
- saberás por certo que sim.

Acredito porque sei e vejo.
Há dEUs aqui e o dEUs sou eu.
Sim eu.
Eu, dEUs de mim.

E tu acreditas?

Quando ao outro te legas,
numa série ininterrupta de instantes.
Cantam-se rimas sem consoantes,
Que escondem o fardo que carregas.

Se te sentas livre e atento,
E do outro contos amealhas,
Deslindarás nessas tralhas,
Para teu saber alimento.

Se presente pões teu passado,
E dele jogas páginas ao vento,
Descobrirás que afinal ter tempo,
Também é do espírito um estado.

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