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Neste blog encontras a minha gaveta, entreaberta, para que possas fazer companhia aos meus pensamentos. Na verdade, não escrevo para te dizer nada. É apenas porque preciso de mais espaço, para poder pensar noutra coisa qualquer!

Escrito a Vapor - Blog de Poesia

Neste blog encontras a minha gaveta, entreaberta, para que possas fazer companhia aos meus pensamentos. Na verdade, não escrevo para te dizer nada. É apenas porque preciso de mais espaço, para poder pensar noutra coisa qualquer!

Viver é soltar o navio,
Deixa-lo ir sem norte,
É acreditar na sorte,
Não ver arder o pavio.

Viver é querer tudo agora,
Subir o píncaro da serra,
Sem pensar que se erra,
Quando mundo se devora.

Sobrevivo,
Protejo o plano,
Ano após ano,
Um dia consigo.

Não vivo do agora,
Não tiro os olhos da seta,
Não acredito na linha reta,
Só é bom se demora.

Não vivo, sobrevivo,
Não corro, deitado,
Espero, sentado,
Por um plano, vivo.
A verdade é chave inglesa
Para desatar qualquer mito.
Tivesse ela o ar mais bonito,
E estaria no centro da mesa.

De que eram feitas as fadas?
E a magia de que cor ficava?
Veríamos gente menos brava
Aceitar falhas injustificadas?

Sei que claro: só o guardanapo,
Definida apenas: a ideia branca.
Tudo o resto é fantasia.

Se queres tu amar teu sapo,
Põe nos ouvidos uma tranca,
Porque a verdade anestesia.
Vou na minha fé,
Emaranhado na espuma,
Todo eu leve, pluma,
Sei lá eu se tenho pé!

Vou na onda que bate,
Na que mais se levanta,
Vou na folha da planta,
Sem medo do embate.

Flutuo,
Em mar descansado,
Talvez errado,
Jamais recuo.

A fé e a vontade,
Vestidas num corpo, cara-coroa,
Se a primeira vigia na proa,
Aí da segunda que se acabe!

Nenúfar somos se temos fé.
Qualquer amarra se detona,
Vivemos embrulhados na tona,
Que importa se temos pé?
Bate em mim mudança,
Sentado, a pensar na vida,
Hoje algo em mim duvida,
Mas parado quem avança?

Tenho planos guardados,
À sombra de uma gaveta,
Escondidos por uma treta,
Que deixa sonhos sedados.

O medo,
Do foco, do ser alvo,
De não ser salvo,
De perder e cair cedo.

Na dúvida, parado
O sonho persiste,
Mas tudo o que existe
É mundo trancado.

Hesitar é temer o incerto,
Não abrir a porta fechada,
É esperar na arquibancada,
Nunca ter o sonho perto.
Se em mim fechado está,
Todo passado que persista,
Se ao tempo faço revista,
Logo a memória o abrirá.

A memória é uma mola,
Presa entre o chão e o céu,
Que no voo parece um véu,
E na queda uma gaiola.

Somos aquilo que nos lembramos.
Se tantas coisas fiz e pouco resta,
É porque minha memória é floresta,
Confinada a dois ou três ramos.

A melhor memória é a vontade,
Ninguém se esquece do cigarro,
Nem do domingo dentro do carro,
Mesmo que se escape a dignidade.

A memória é uma rotina:
-Levanto; -morre; -sento; -acorda;
-Falo; -desaparece; -penso; -recorda;
Nunca a vences se ela te domina.

Foi ao amor que aprendi a escrever, 
Em versos para mulheres que não amei.
Houve dias em que por certo o julguei
Mas se não o foi, não o era para ser.

Foi nesse amor que não me vieste ver,
Porque desses versos não leste amiúde,
E se dessas letras não viste a virtude,
Não foi amor porque não o deixei ser.

Nunca disse que te amava,
Porque esse amor era o farol,
Se das palavras queria um gole
E a inspiração me faltava.

A inspiração é fruto da esperança,
Que se devora enquanto se procura,
Acaba-se a busca, acaba a loucura,
Acende-se a luz, muda-se a dança.

Usei-te, sei que te usei, confesso,
Gastei horas de amor contigo,
Nas assoalhadas de um abrigo,
Onde meu ego vive em excesso.

Vou em mim, de viagem,
malas cheias de nevoeiro,
sem luz levo o candeeiro,
ao amor comprei passagem.

Levo os pés pelo joelho,
se medo carrego no passo,
já tenho construído o laço,
comigo trarei meu parelho.

Na barriga avoaçando
a novidade e a aventura
a que a vida me ordena.

Doo à sorte meu comando,
esqueço o medo da altura,
desejo hora pequena.

Para ela, que multiplicou os amores da minha vida, todos os versos, sempre poucos.
Dê-te deus o poder de clarear,
De tornar branco esses traços,
De risco negro em olhos baços,
Que não te deixam enxergar.

Dê-te deus o poder de entender,
Que mesmo o genuíno intento,
Com pouco ou nada vira turvento,
E podes magoar alguém sem querer.

Podes não ter usado todo o mal,
Nem ousado galantear pujança,
E inocente ter sido o teu ato.

Enquanto exibias um riso normal,
Alguém te ouviu rir noutra dança,
Julgou-se por presa, presa ao teu fato.
Sonhei com teu pão de açúcar,
Plantado no meu quintal,
Junto das minhas camélias.

Para eu não mais levantar voo,
Cada vez que a saudade aperta,
E quero cheirar o teu pão de açúcar.

Dava-te duas ou três camélias minhas,
Regadas com grãos de areia cozidos,
Para que dessem fruto no teu jardim.

Quem depois voasse para aqui sentiria,
O mesmo ar doce que tendes aí.
Como duas terras e uma só cultura.

Se camélias nascessem em toda a parte,
E pão de açúcar ouvíssemos, toda a hora,
De diferente o que me faria ir-te ver?
Cresce assim tanta vontade,
em bruta, tanto sumo e tanta fruta,
Que por fartura morre ou não perdura.
Esta é a aventura por sumo de liberdade.

Solta-se o medo selvagem numa voz de confiança,
Eleva-se o tom e a dança. Enche-se a pança matura.
Uma viva a nós, à coragem, ao talento e perseverança,
Outro abraço e avança a mudança em busca da cura.

Que tanta vontade de caminho novo,
Rasgado suor, dedicação e energia,
Não se percam no derradeiro dia,
Em que a todos não pode eleger o povo.

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