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Neste blog encontras a minha gaveta, entreaberta, para que possas fazer companhia aos meus pensamentos. Na verdade, não escrevo para te dizer nada. É apenas porque preciso de mais espaço, para poder pensar noutra coisa qualquer!

Escrito a Vapor - Blog de Poesia

Neste blog encontras a minha gaveta, entreaberta, para que possas fazer companhia aos meus pensamentos. Na verdade, não escrevo para te dizer nada. É apenas porque preciso de mais espaço, para poder pensar noutra coisa qualquer!

Que é isto o que o sinto?
Sei lá o que sinto!
Às vezes minto
e digo que não sinto,
Nada.
Escrevo-te sempre,
Mas depois,
Guardo lá atrás,
Ontem.

Estou preso na tua vontade,
Como bolas de sabão,
Condenadas a poisar,
Nas coordenadas do vento.

Ai Margarida, Margarida,
Que fiz eu de errado?

Por mim voava contigo,
Nas manhãs de um lugar qualquer,
Onde te pudesse amar,
Devagar,
Sem ninguém a assistir.
Onde o contrato que assinaste,
Perdesse a validade.
E tu quisesses acordar comigo.

Margarida, Margarida,
Não dês asas a quem quer voar,
Se souberes que para lá da ravina,
Não vai haver nada.

Mas se houver uma réstia de chão,
Dá-me um sinal,
que eu espero,
Por esse metro a vida inteira.
Desejei que nascesses tanto,
que moldei o ninho com a ansiedade,
de estar presente num tempo presente-distante,
ofegante voei e só acordei na minha vontade,
que se fez quando nasceste tu.

Fino dialeto indefinido
que sentido novo hás-me abrir?

Não quero mais senão tu,
nem rotinas nem linhas traçadas,
leva-me por essas ondas agitadas,
prometo que aprendo a nadar contigo.
Os versos que não te mandei,
Do amor que te prendo,
Um dia o lume
esse papel
atacou
e
soltou
o incenso cruel,
da dor em perfume.
Enquanto via o fim crescendo,
Corri esses versos e o amor decorei.


O amor resiste ao tempo
E o desejo também.
Se não há vento,
Ninguém o vai
Esquecer.
Quem não vai
Desejar um dia fruir
Dessas horas sedentas
Onde os passos descolam
Os espaços interrompem
Num fruto maduro.
Abro a rede.
Tomara eu,
fosses
tu.

 

Rodo,
Sempre à roda,
Não tenho outro modo,
Por mais voltas que dê,
Já nem me incomodo,
Se desta moda,
Estou à mercê.

Podia,
Encontrar distinto,
Meio para vazar a via,
Que dentro me entope,
Mas é aqui na poesia,
Que o que sinto,
Se torna dote.

Despejo,
Fico mais leve,
Minha alma protejo,
Tudo se torna claro,
Do meu vicio, desejo,
Instinto breve,
Toque raro.
Se eu voasse iria para longe,
Tão longe de onde a capela
do fundo da minha rua
fosse um ponto pequenino.

E eu pudesse ver,
quem entra e sai,
quem diz o quê,
a quem escuta.

Se eu pudesse voar,
Queria conhecer o mundo,
Que existe dentro de todas
As portas da minha rua.

Todas as esquinas da
Calçada onde vivo,
Os segredos das pedras
E as histórias das vidas.

Se eu pudesse voar,
trocava as asas,
por tudo o que não vejo,
e se passa em frente
do meu nariz.
Preciso de um dia vazio,
para mudar as lâmpadas,
e trocar os fios.
Desmontar as paredes,
Fechar as torneiras
e limpar as gavetas.

Correr o sistema,
rodar o programa,
encontrar o erro
e renomear o ficheiro.

Para ver as manchas no casaco,
Ponho-o ao sol,
Dependurado pelas mangas e
e ponho-me ao largo,
A espreitar.

Vazio dia esse tão ocupado,
Que me toma logo pelo cansaço.

Os dias vazios comem-se a olhar
sem entender a curiosidade.
A procurar algo que desperte
e entretenha.

Os dias vazios são para olhar para fora
enquanto dentro o silencio trabalha.

Sabes Guida,
sempre soube.

É como quem cala
Ou diz que a vida é vã.
De que serve saber
de onde vieram os trapos?

Os trapos somos nós,
farrapos de vontades,
fartos de dar pancada
em nós mesmos.

Sabes Guida,
sinto raiva.
Sinto que a tua voz amarga
se amargurou no doce.

Precisavas de te ouvir,
só assim verias que o azul
escondia um céu amarelo
e que afinal os peixes voavam
como fardos de palha.

Acredita Guida,
tudo é possível aos tolos
quando se sentam no jardim
a contar migalhas de pão.

Confesso que te vi,
a esfarelares os trigos
secos de outras madrugadas,
mas ignorei.

Sabes Guida,
Quanto mais julgo
Menos entendo.

Foi amor a mais Guida?

Hoje estou dentro de mim,
por dentro de algo maior do que consigo ver.
Sinto que estou dentro de mim
porque toco nos pensamentos com os dedos
e agarro as emoções com as pálpebras.

Tenho a certeza de que estou dentro de mim e estou bem:
- porque há dEUs aqui!

O dEUs “Eu”.

O dEUs que eu criei
para me mostrar o caminho
e me dar alento na viagem.

E se me perguntares se acredito em dEUs:
- saberás por certo que sim.

Acredito porque sei e vejo.
Há dEUs aqui e o dEUs sou eu.
Sim eu.
Eu, dEUs de mim.

E tu acreditas?

Negras as noites oblíquas,
Mascantes de luz fulgurante,
Que têm as veias à porta.
 
Assentos de jardim adornados,
Leito das costelas quebradas,
Onde alquebram intrépidos ruins.
 
Não há sossego adjudicado,
Nem há mais da avidez saciada,
Apenas o restolho num copo vazio.
 
As candeias queimam em crespo,
E a chama que se intente ostentar,
Fende antes de na casca advir.
 
Mortas estão as garras do pobre,
Na calçada do éden à sombra,
Avariadas na artéria do destino.

Amanhã vou dizer que te amo,
Vou passar o dia contigo
Passar-te a mão no cabelo,
Pousar-me sobre os teus ombros,
Olhar-te nos olhos e sorrir.

Vou cantar-te uma canção,
Para poder ouvir-te também.
Vou perguntar-te como estás,
E vou ouvir as histórias do teu dia.

Vamos sonhar em voz alta,
Planear o futuro e o presente,
Vamos imaginar, sentados no sofá,
Que não há paredes nem muros.

Vamos fazer tudo isso amanhã,
Hoje não porque estou cansado.
Hoje não porque estou sem vontade.
E não hoje porque estou ocupado.

Por isso fica para amanhã,
Porque amanhã nasce essa vontade.
Por isso reserva o dia de amanhã
Mesmo que o futuro te leve hoje!

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